Análises

Construir uma cultura empreendedora

Building an entrepreneurial culture

No ano passado, nesta mesma altura, escrevi que deveria adoptar uma visão empreendedora da sua organização e começar a experimentar e a desafiar o status quo. Porquê? Porque se não promover uma cultura de empreendedorismo e inovação, vai ficar para trás.

Se achava que 2017 foi acelerado e disruptivo, prepare-se para o que aí vem em 2018. Praticamente todos os grandes sectores vão ser abalados pela tecnologia e pelo que ela possibilita. Não pelo simples facto de existir, mas porque os clientes o exigem.

As start-ups sabem-no e estão a construir os seus negócios desde a base para aproveitar tecnologias como a computação em nuvem, a automação, a inteligência artificial e a mobilidade.

Também não pedem às suas pessoas que realizem tarefas estúpidas e monótonas, libertando-as antes para serem mais estratégicas, criativas e orientadas para o cliente.

Então como se constrói uma cultura de empreendedorismo e inovação? Bem, em primeiro lugar, não precisa de ser um empreendedor. Nem toda a gente na sua empresa tem de o ser. Mas o que precisa de fazer é criar uma cultura aberta a ideias. De qualquer pessoa. Mesmo ideias que, à primeira vista, parecem descabidas, porque nunca se sabe onde podem levar.

Veja o exemplo da invenção dos Post-it pelos funcionários da 3M. Em 1968, um funcionário inventou o adesivo, mas não encontrou realmente utilidade para uma cola pouco aderente. Foi seis anos depois, em 1974, que outro funcionário fez a ligação e percebeu que a cola podia ser utilizada para criar uma nota autocolante reutilizável.

Compare com a Kodak, que guardou a invenção da câmara digital pelo seu funcionário e, segundo algumas versões da história, a tecnologia de base do telemóvel, para evitar canibalizar o seu negócio existente. Esta supressão de ideias acabou por resultar na protecção do capítulo 11 de falência em 2012.

Escrevo frequentemente sobre a elaboração de orçamentos com contributos da linha da frente. Obter contributos das pessoas directamente envolvidas nas despesas e na geração de receitas cria transparência, adesão e alinhamento. Naturalmente, permite também aceder a informações no terreno a que simplesmente não teria acesso a partir do seu escritório.

Pense em construir a sua cultura empreendedora da mesma forma. As ideias podem vir de qualquer lado: o novo contratado que traz um olhar fresco, o júnior que vive a mesma cultura millennial dos seus clientes, a recepcionista que vê como as pessoas ficam irritadas com processos em papel, e o agente do centro de atendimento que fala com os seus clientes todos os dias.

DICAS

As únicas perguntas ou ideias estúpidas são as que não são feitas ou partilhadas.

Não tem de ser perfeito logo no início. As ideias em desenvolvimento também são valiosas, especialmente se outros as puderem fortalecer.

Pense em grande e faça com que as pessoas falem umas com as outras. Nunca se sabe quando e de onde virá a ideia luminosa que lhe poupará dinheiro, lhe renderá dinheiro ou o ajudará a trabalhar melhor.

Tal como publicado na ASA Magazine February 2018 https://www.accountancysa.org.za/building-an-entrepreneurial-culture/

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