Análises

A transparência — solução para a corrupção nas empresas e nos governos

Transparency – the solution to business and government corruption

Há dias em que parece haver uma nova história de suborno, corrupção ou nepotismo nos jornais todos os dias, mas é assim em todo o lado onde o poder está nas mãos de poucos e existe pouca ou nenhuma prestação de contas. Infelizmente, este fenómeno não é exclusivo dos governos de todo o mundo — está igualmente presente nas empresas.

Em ambos os casos, a introdução da transparência nas transações financeiras — desde os orçamentos e previsões até ao reporting — pode fazer toda a diferença. Para além de tornar quaisquer anomalias visíveis e óbvias, os indivíduos propensos a comportamentos reprováveis ficariam dissuadidos de saber que a sua capacidade de ocultar os próprios atos lhes foi retirada.

Com a tecnologia, o software e os serviços disponíveis hoje, não existe qualquer justificação para a falta de transparência a qualquer nível. A transparência da informação financeira tem de ser composta por muitos elementos — acesso em tempo real à informação, garantia de que a informação é fácil de compreender, capacidade de aprofundar a análise para além da camada superficial de números, responsabilização das pessoas pela definição dos seus próprios orçamentos, e garantia de que respondem pelos seus resultados.

No passado, só era possível analisar as despesas de 1 de janeiro algures em meados de fevereiro, quando os livros de janeiro eram encerrados e o relatório mensal ficava disponível. Isso deixava quase dois meses para alguém apagar os seus rastos antes que qualquer pessoa notasse algo suspeito. Hoje é possível analisar os valores em tempo real, não deixando praticamente nenhum lugar para se esconder.

A informação financeira era anteriormente compreendida apenas por especialistas financeiros, que tinham depois de encontrar tempo para analisar toda a informação e a traduzir para o gestor comum — um exercício moroso e dispendioso que também tornava muito difícil para uma pessoa sem formação financeira identificar qualquer má gestão de fundos. Com a simplificação e os novos sistemas de fácil utilização e compreensão mesmo para utilizadores não financeiros, esconder seja o que for torna-se muito mais difícil.

A maioria dos sistemas permite analisar em detalhe a informação, o que significa que o grande montante global de "Viagens" ou "Representação" que antes podia ocultar uma série de irregularidades passa a ser um livro aberto para qualquer pessoa curiosa, revelando exatamente o que é gasto, para quê e por quem.

Permitir que as pessoas que utilizam os orçamentos os definam faz muito mais sentido do que deixar um especialista financeiro baseado noutro local fixar esse valor por elas. Ninguém sabe melhor do que as pessoas no terreno de quanto precisam e em quê. Há também muito mais probabilidade de assumirem a responsabilidade e responderem pelos resultados das suas próprias decisões do que pelas que lhes foram impostas por outros.

Como pode ver, todos estes pontos se aplicam igualmente a governos e empresas. A transparência é fácil de alcançar quando se dispõe das ferramentas e sistemas certos e, com a sua crescente acessibilidade, ninguém com poder tem desculpa para se envolver em atividades reprováveis que acabam nos meios de comunicação.

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