Análises

O verdadeiro driver da IA

O verdadeiro driver da IA

Quando um taco de golfe revolucionário chegou ao circuito profissional em 2022, fez mais do que apenas lançar as bolas mais depressa – mudou o jogo. Mas, tal como a inteligência artificial (IA) hoje, não é a tecnologia por si só que cria o sucesso – é a habilidade com que os humanos a aplicam.

Quando a TaylorMade lançou o primeiro taco com uma face de driver em compósito de carbono, foi um avanço significativo na tecnologia do golfe. Era 40% mais leve do que as faces de titânio e acrescentava até 3 km/h à velocidade da bola. Disponível primeiro apenas para profissionais, a inovação depressa entrou no domínio público, acessível aos golfistas de fim de semana e imitada por outros fabricantes.

Os golfistas tinham uma escolha. Podiam continuar a insistir com os seus drivers existentes ou elevar o seu jogo com a nova tecnologia. E por que não haveriam de querer lançar as suas bolas de golfe mais depressa e com mais precisão, com maior margem para erro?

Como golfista, sou tendencioso, mas penso que esta é uma analogia útil para a IA nos negócios hoje. Quando todo o entusiasmo, o debate e as hesitações terminarem, veremos a IA como apenas mais uma ferramenta. É certo que é uma ferramenta essencial, que permite às pessoas e às empresas darem o seu melhor. E, certamente, não usar esta inovação colocar-nos-á em desvantagem face aos nossos pares, por muito boa que seja a nossa empresa.

O que há de característico nas ferramentas é que existem para serem usadas por humanos. É a forma como o humano aplica as ferramentas que cria os resultados. Voltemos ao golfe: apesar das enormes vantagens do novo driver, Rory McIlroy não se acomodou nem deixou de melhorar o seu jogo. E embora o driver tenha melhorado significativamente o meu jogo, não me transformou num McIlroy. As competências, a experiência e o conhecimento inerentes aos humanos ainda predominam.

Enquanto líderes, cabe-nos garantir que as nossas pessoas estão equipadas com as melhores ferramentas para o trabalho. E hoje, em muitos casos, isso inclui a IA. Mais ainda, os seus stakeholders – das novas contratações aos clientes – esperam que a esteja a usar.

Um dos principais desafios para as empresas que tentam adotar a IA é a resistência humana, baseada no medo da perda de emprego. Quando as pessoas têm medo e estão inseguras, apostam ainda mais no que conhecem – neste caso, as formas antigas de fazer o seu trabalho.

Talvez enquadrar a IA como uma ferramenta que, tal como um taco de golfe, precisa de ser empunhada por humanos seja um contranarrativa útil ao mito de que as máquinas vêm para nos substituir. As ferramentas mudam e melhoram a toda a hora. Hoje, a IA é uma adição nova e muito importante ao nosso saco de golfe. Mas é apenas uma ferramenta, e o humano que a empunha continua a ser primordial.

Inclinar-se para a frente

Precisa de incentivar a sua equipa a inclinar-se para a frente, e não para trás, e a interagir criticamente com os resultados gerados por IA. Há muitas coisas em que os humanos continuarão a destacar-se, e essas não devem ser perdidas. Por exemplo, embora a IA consiga processar números mais depressa do que pestanejamos, também tem enormes limitações. Precisa da nossa supervisão, do nosso pensamento crítico e da nossa compreensão profunda do panorama geral para ser verdadeiramente impactante.

Conforme publicado na ASA Magazine - dezembro 24