Análises

A pandemia impulsiona a cloud pública

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Consegue imaginar se esta pandemia global tivesse ocorrido há dez, ou mesmo cinco, anos? É muito improvável que tantos de nós tivéssemos conseguido fazer a transição para o trabalho remoto tão rapidamente e, em muitos casos, tão facilmente como fizemos. Desde computadores portáteis potentes, à fibra até às nossas casas, passando por uma vasta seleção de ferramentas de colaboração e videoconferência: a continuidade do negócio foi, na sua maior parte, mantida, e em alguns casos até melhorada. (Certamente temos conversas muito mais eficazes e racionalizadas com os nossos potenciais clientes durante o confinamento.)

Um dos principais fatores subjacentes que contribuiu para a nossa capacidade de ficarmos em casa durante mais de três meses e manter a produtividade foi a cloud pública. É ela que alimenta a maioria das ferramentas e capacidades, como o Zoom e o Microsoft Teams, em que confiamos hoje para fazer negócios num mundo pandémico. E em troca, esta pandemia irá indiscutivelmente acelerar a adoção da cloud pública em todo o mundo.

Se clicou num site de notícias tecnológicas ou de negócios, assistiu a uma conferência ou leu relatórios de analistas ultimamente, seria compreensível pensar que a corrida à computação em nuvem já está decidida. Certamente foi muito divulgada pelos grandes fornecedores de cloud que prometem tanto transformação digital como continuidade do negócio. Mas a realidade é que muitas regiões estão atrasadas em relação aos EUA no que diz respeito à adoção da cloud pública, por várias razões, incluindo legislativas, regulatórias e culturais.

De acordo com a empresa de análise Gartner (prevendo em tempos pré-pandémicos), até 2022 esperava-se que outros países ficassem um a sete anos, ou mais, atrás dos EUA na adoção da cloud. O Reino Unido, por exemplo, estava a ficar menos de três anos atrás dos EUA, com 11,5% do total das despesas em TI reservado para a cloud até 2022, em comparação com 14% nos EUA. O Japão, por outro lado, está a ficar sete ou mais anos atrás, e embora os gastos em cloud devam subir para 4,4% em 2022, a Gartner citou numerosos obstáculos à adoção da cloud no país.

Claro que a pandemia deeitou por terra praticamente todas as previsões. Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse numa recente chamada de resultados que assistiram a dois anos de transformação digital em dois meses. Certamente não é exagerado argumentar que em 2022 essas previsões de adoção da cloud pública vão parecer muito baixas. Porquê? Pense nos retardatários que permaneceram fiéis ao cavalo e à carroça, até ao ponto em que as estradas alcatroadas se tornaram a norma e recusar mudar para um automóvel se tornou profundamente contraproducente. Chegámos a esse ponto de inflexão para a cloud pública. Chama-se trabalhar a partir de casa.

Como já escrevi anteriormente, o debate sobre o trabalho remoto acabou. Embora venhamos a regressar gradualmente aos nossos escritórios ao longo das próximas semanas e meses, combinaremos indiscutivelmente isso com trabalho remoto. Pode ser trabalhar a partir de casa, ou pode ser trabalhar num daqueles cafés empreendedores que criaram espaços de hot desking protegidos e com distanciamento social. Cada um de nós encontrará a melhor combinação para si.

Esta mudança na forma como trabalhamos deslocou permanentemente a conversa sobre a cloud pública de «deveríamos» para «quando o faremos». A cloud pública dá-nos acesso aos nossos dados e às nossas equipas sem necessidade de VPN complicada, de configurar e manter servidores, e dos requisitos de largura de banda associados à transferência desses dados. Com o trabalho remoto, é fácil apreciar os benefícios de ter os dados corporativos na cloud em qualquer lugar, a qualquer momento.

Como nota à margem, esta mudança vai impactar a disposição do escritório do futuro: já não há necessidade de uma sala de servidores, mas uma ligação à internet rápida e fiável com failover vai ser fundamental.

Já é um cliché dizer que a crise de saúde atuou como acelerador de muitas tendências, digitais e outras, que se foram desenvolvendo nos últimos anos. Mas certamente é o caso da cloud pública. E quando consideramos as capacidades que temos hoje graças à cloud, isso torna o futuro um lugar muito interessante, impulsionado pela cloud.