Qualquer não-adepto do futebol poderia ser perdoado por pensar que este Campeonato do Mundo de Futebol era tudo uma questão de dinheiro. A comunicação social noticiou como três equipas africanas ameaçaram com greves a menos que recebessem os seus bónus em dinheiro antecipadamente; o facto de os quatro jogadores mais bem pagos da equipa alemã ganharem mais do que toda a equipa americana em conjunto; e que a final decorreu entre duas das três equipas mais ricas do Mundo, para citar apenas três exemplos.
Será que isto significa que, em última análise, a motivação gira em torno do dinheiro? Diria que não, especialmente quando se considera que outras manchetes incluíram a recusa da equipa da Grécia em aceitar os seus bónus para construir um centro de jogadores destinado a futebolistas actuais e futuros melhorarem as suas competências; circularam rumores de que a Argélia teria doado os seus bónus aos pobres em Gaza, e o jogador alemão Mesut Ozil doou o seu bónus por ter ganho o Campeonato do Mundo para ajudar a pagar as cirurgias de 23 crianças brasileiras carenciadas..
Então, o que motiva as melhores equipas a unirem-se e a apresentarem o seu melhor desempenho no momento decisivo? Claro que os seus colaboradores aparecem por um salário, mas pelo que ficam? É tudo uma questão de promessa de um gordo bónus em dinheiro, como acontecia com as equipas africanas? Ou pode motivar com crescimento e desenvolvimento, com confiança e lealdade à sua empresa, como foi claramente o caso com a Grécia? Ou construindo uma equipa que trabalha em conjunto e uns pelos outros até serem de um só espírito, como a Alemanha? Ou recruta indivíduos excepcionais capazes de fazer tudo, como o Brasil ou a Argentina?
Debrucemo-nos por um momento sobre os campeões mundiais, a Alemanha. A sua direcção parece ter encontrado uma forma de combinar todos estes elementos motivacionais com o planeamento estratégico e o treino. A equipa é bem remunerada, é composta por jogadores especializados de grande valor, os bónus prometidos eram mais do que justos, passaram os últimos dois anos a treinar intensivamente juntos com esse objectivo singular em mente. Uma pitada de orgulho nacional e a oportunidade de ser a primeira equipa europeia a ganhar o Campeonato do Mundo em solo sul-americano, e a Alemanha jogou de forma excepcionalmente boa — poucos discordariam que a melhor equipa ao longo de todo o torneio venceu.
Em última análise, a forma como gere e motiva depende do seu objectivo enquanto empresa. Tem de decidir se precisa de uma equipa coesa ou de um grupo solto de especialistas, se precisa de cumprir objectivos regulares a curto prazo ou se está a trabalhar para um grande objectivo. Uma lição clara do Campeonato do Mundo é que é preciso investir na construção da equipa de que necessita.
*Publicado na revista Accountancy South Africa em agosto de 2014
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