Imagine um empreendedor típico. O que lhe vem à mente? Provavelmente uma combinação de Richard Branson, Steve Jobs e um millennial a fazer algo misterioso com as redes sociais num espaço de coworking moderno. E o que une estes três é a inovação e o risco: identificam problemas no mundo e querem resolvê-los, e investem tempo, dinheiro e competências em algo que é essencialmente uma experiência, sem garantia de retorno.
Seja quem for que imaginou, tenho a certeza de que não se imaginou a si próprio, nem a nenhum dos seus colegas. Na verdade, muitos líderes empresariais ficam um pouco desconfortáveis ao mencionar a palavra «e» (empreendedorismo), temendo que os seus melhores colaboradores abandonem tudo e se dirijam ao café hipster mais próximo para lançar uma start-up.
Este é um ponto de vista limitado e pouco perspicaz. Em primeiro lugar, a vida numa start-up não é para todos: eu sei, fui o tipo com a ideia de resolver um problema que tinha identificado, a trabalhar na minha garagem para montar um negócio. Arriscar o dinheiro de outra pessoa é muito diferente de colocar a própria casa em jogo! E esta última opção não é atraente para a maioria. E, mais importante, aproveitar o espírito empreendedor dos colaboradores e explorar a sua mentalidade inovadora é um fator crítico de sucesso para as empresas que querem sobreviver nestes tempos difíceis e de mudança acelerada.
São estes os colaboradores que vão identificar problemas e resolvê-los antes de a organização e os clientes sequer se aperceberem de que existe algum problema.
São estes os colaboradores que vão fazer o equivalente ao que Steve Jobs fez ao começar a trabalhar num iPod que se pudesse usar para fazer chamadas, mesmo quando a Apple lançou o primeiro iPod em 2001.
São estes os colaboradores que vão ver as oportunidades quando um concorrente como a Uber perturba o seu mercado. São o oposto dos taxistas londrinos de black cab, que responderam à Uber exigindo que a aplicação de chamada de táxi fosse regulada ao mesmo nível de ineficiência com que o seu negócio de 160 anos opera.
Vão também descobrir como melhorar o funcionamento do negócio. Isto é tão importante quanto a inovação voltada para o exterior. Sabe que os negócios funcionam em ciclos, e as decisões que faziam sentido há cinco ou dez anos podem já não ser relevantes. Pense no eterno vai-e-vem entre externalização e internalização; centralização e descentralização; integração horizontal e especialização vertical.
Acrescente a isto a enorme disrupção atual, impulsionada pela velocidade da tecnologia, e os avanços que alcançou no ano passado podem já estar desatualizados. Veja as entregas: provavelmente já vendeu a sua frota de veículos de entrega e externaliza agora essa função. Mas estará a considerar que mais cedo do que pensa, as entregas por drone poderão ser a nova normalidade?
As empresas que não adoptarem uma visão empreendedora das suas operações internas ou externas ficarão para trás. Deixe de pensar no empreendedorismo como algo que acontece «lá fora» e comece a descobrir o empreendedor que existe em si.
DICAS PARA LIBERTAR O EMPREENDEDOR CORPORATIVO
- O empreendedorismo começa em casa: analise a forma como faz as coisas hoje e pergunte-se se pode fazê-las melhor.
- Foque-se num mercado de nicho e experimente. É aceitável cometer erros desde que aprenda com eles.
- Reduza o risco da inovação sabendo com o que pode experimentar. Não ponha em risco todo o seu negócio.
Publicado na Revista ASA em março de 2017
http://www.accountancysa.org.za/viewpoint-introducing-the-corporate-entrepreneur/
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