Análises

Em 2018, considere o custo de não fazer nada

In 2018, consider the cost of doing nothing

Dependendo da sua perspectiva, a minha coluna do mês passado terá sido exaltante ou aterradora. E quer esteja ansioso por abraçar o novo futuro digital do seu negócio ou aterrorizado com a ideia de os robôs tomarem todos os nossos empregos, terá de começar a tomar decisões bastante significativas este ano. Estas decisões terão de fazer avançar a sua organização, mas também dar-lhe espaço para ser ágil perante futuras mudanças sísmicas e, por fim, devem evitar colocá-lo num canto digital do qual não consiga sair. (Cassete Betamax, alguém?)

É um campo minado de decisões e a minha sugestão, que já havia sugerido anteriormente, é não evitar os trabalhos de custo do statu quo. São os projectos de manutenção, actualização e inovação incremental que não geram um ROI imediato, mas são essenciais para poupar dinheiro e garantir a sua sobrevivência a longo prazo.

Paradoxalmente, os trabalhos de custo do statu quo provavelmente não lhe darão um retorno imediato sobre o investimento. O que farão é manter e optimizar sistemas e processos e ajudá-lo a dar os passos incrementais que constituem a inovação para levar a sua empresa ao futuro. Sim, desviam tempo e recursos de outras actividades hoje, mas evitam falhas catastróficas, preparam o seu negócio para o futuro e poupar-lhe-ão dinheiro a longo prazo.

Por exemplo, numa viagem no ano passado, logo após aterrar na Nova Zelândia, o Aeroporto de Auckland foi encerrado devido a uma avaria numa conduta de combustível. Como resultado, centenas de aviões ficaram retidos num hub regional crítico, e tempo e dinheiro foram gastos a transportar combustível por camião até a conduta ser reparada 10 dias depois. Um porta-voz explicou que o custo de uma conduta adicional não estava justificado pois raramente seria utilizada. Espere — não é exactamente assim que se define um sistema de backup?

Infelizmente, é difícil quantificar o custo de não realizar estes trabalhos no início. Só se conhece o preço real quando o desastre acontece, como o Aeroporto de Auckland descobriu. Isto torna fácil deixar estes trabalhos deslizarem para o fundo da lista de prioridades.

Vejamos as coisas de outra perspectiva e consideremos o papel de preparação para o futuro dos trabalhos de custo do statu quo. Estes projectos podem mudar o paradigma da sua organização em termos de inovação, crescimento e sucesso no futuro. Daí o perigo de não os realizar hoje. Por exemplo, se não estiver a pensar ou a iniciar um projecto para migrar as suas operações para a cloud, pode descobrir que ficou para trás amanhã quando os seus concorrentes oferecerem serviços e inovações baseados na cloud, e você simplesmente não conseguir.

Para além de uma fixação nas preocupações de ROI a curto prazo, há várias razões pelas quais as organizações negligenciam os trabalhos de custo do statu quo. No mundo acelerado de hoje, onde todos corremos para ficar no mesmo lugar, pode parecer que não há tempo para optimizar ou rever o curso. Mantenha a cabeça baixa e encaixe os golpes digitais. Infelizmente, o ritmo só vai acelerar, portanto é melhor considerar estes projectos agora.

Algumas empresas têm simplesmente aversão ao risco e preferem adiar uma decisão e continuar com o que conhecem. Com efeito, jogar pelo seguro é frequentemente recompensado nestas organizações, pois a melhoria a curto prazo do resultado tende a concentrar as atenções. Infelizmente, nos anos 1980 podia ser verdade que «ninguém era alguma vez despedido por escolher IBM», mas hoje, este pensamento pode resultar em que a sua empresa não exista amanhã.

Por fim, muitas organizações carecem das competências e experiência para navegar nesta nova era industrial digital. Hoje, é necessário contratar pessoas com as competências para se adaptar e prosperar em actividades que a automatização não consegue fazer, e que também tenham a capacidade de trabalhar com robôs. Um exemplo são os contabilistas libertados da análise de dados e que, em vez disso, utilizam as suas capacidades para detectar padrões, analisar os dados e pensar estrategicamente sobre como estes informam as decisões empresariais e depois fornecem aconselhamento estratégico aos seus clientes.

Então, o que fazer agora? Em primeiro lugar, comece a quantificar o custo elevado de manter o statu quo colocando o custo de não agir na agenda. Depois, afaste-se do pensamento em cascata e aprenda com as filosofias ágeis e a sua iteração contínua. Isto tira a pressão de ter a certeza de que está a tomar a decisão certa desde o início, para tomar a decisão certa para si, através de melhorias constantes e vigilância. Por fim, simplesmente decida. Escolha um projecto faro, pode falhar mas então falhe depressa, aprenda e melhore.

Conforme publicado no Accountingweb – Janeiro de 2018

https://www.accountingweb.co.uk/community/blogs/kevin-philips/in-2018-consider-the-cost-of-doing-nothing

#Planning #analyse #ROI #cloudenabled #returnoninvestment #Business #futureproof #accountants