Sou contra contratar pessoas porque uma lei me obriga a fazê-lo, seja por motivos de raça, género, idade ou cor de cabelo. Numa situação ideal, gostaria de analisar um currículo sem qualquer uma dessas informações, e isso é o que deveria ser lei — é a única forma de garantir que se seleciona a melhor pessoa para o cargo exigido, sem qualquer preocupação com discriminação.
Trabalho em estreita colaboração com várias mulheres determinadas a todos os níveis da minha organização (e tenho ainda mais três em casa: a minha mulher e as minhas duas filhas!). São todas pessoas qualificadas, independentes, motivadas e determinadas, que me colocariam as mãos ao pescoço se pensassem por um segundo ter sido contratadas para preencher uma quota feminina.
Tenho a certeza de que em alguns setores pode ser avançado um argumento a favor da discriminação baseada no género, mas defendo que nas áreas profissionais isso não deveria ter qualquer relevância. Qualquer pessoa que tenha concluído os seus estudos em contabilidade, direito, medicina ou informática recebeu a mesma formação e enfrenta o mesmo ambiente profissional. Os resultados são claros e fáceis de medir, então o que tem o género a ver com isso?
No mundo atual, o equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal é um desafio com que todos lidamos, e reconhecer que tanto os homens como as mulheres têm família é benéfico para todos. Os homens estão muitas vezes tão envolvidos na vida dos seus filhos quanto as mulheres, e são igualmente suscetíveis de tirar licença para tratar de filhos doentes, assistir a recitais de ballet ou mesmo tirar licença de paternidade. Portanto, isto já não deveria ser relevante nas decisões de contratação.
Todas as mulheres que conheço podem ser tão pragmáticas, objetivas e determinadas quanto os homens; talvez ainda mais em alguns casos, após anos a ser tratadas como se não o fossem. Também verifiquei que a sua capacidade de empatia e de encontrar soluções alternativas para os problemas as torna muitas vezes mais aptas a gerir situações profissionais e conflitos.
Mas mesmo estas afirmações partem do pressuposto de que as mulheres são mais empáticas do que os homens, ou reconhecem o estereótipo de que uma mulher seria mais emotiva do que um homem, o que não é necessariamente verdade. Os estereótipos podem ter tido razão de ser noutros tempos, mas são hoje amplamente irrelevantes no que diz respeito aos papéis de género nos negócios.
Em última análise, considero que contratar alguém com base no seu género é discriminação, independentemente desse género. E entendo que forçar uma empresa a basear a sua política de contratação em qualquer tipo de discriminação deveria ultrapassar as prerrogativas do legislador.
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