Análises

Darwinismo Digital: ainda é adaptar ou morrer

Digital Darwinism: it's still adapt or die

Charles Darwin tinha razão quanto à sobrevivência depender da nossa capacidade de adaptação. E nunca isso foi tão verdadeiro como perante a revolução digital que vivemos no século XXI. Enquanto Darwin falava de adaptação de geração em geração, hoje a sensação é que é preciso adaptar de mês em mês e de dia em dia.

Olhe para a indústria do táxi e a Uber. O retalho e a Amazon. A edição e o Facebook. Os hotéis e o Airbnb.

Assustadoramente, até estes exemplos estão a envelhecer. A Amazon já deu a volta completa e está a expandir a sua presença física, munida de tudo o que aprendeu sobre o comportamento do consumidor no mundo digital. A Uber e os seus motoristas ainda estão a definir a sua relação de trabalho, mas o Dubai anunciou que vai lançar táxis-drone autónomos este ano.

Então, onde é que isso nos deixa a nós, os contabilistas? Somos tipicamente os bastiões conservadores da cautela e da aversão ao risco em qualquer empresa. Brandindo o sistema de contabilidade de dupla entrada nos últimos séculos, mantivemos, na sua maioria, as empresas honestas e solventes. Mas agora até o sistema de dupla entrada está a ser questionado no mundo da blockchain e de outros sistemas de livro-razão digital partilhado e descentralizado.

O mesmo se aplica a nós, receio. Adaptar ou morrer. Mas tenha em mente que adaptar não significa deitar fora o bebé com a água do banho. Adaptar significa compreender o que precisa de mudar para continuar a acrescentar valor aos seus clientes e à sua organização. Veja os tentilhões de Darwin nas Ilhas Galápagos, que, numa única geração, desenvolveram bicos maiores e mais fortes para encontrar alimento durante uma seca prolongada. Os pássaros adaptaram-se rapidamente à sua realidade actual, optimizando uma função em vez de a substituir por completo.

Da mesma forma, os contabilistas precisam de olhar para o futuro e começar a reposicionar-se hoje — já estamos a assistir ao impacto de algumas das mudanças trazidas pela digitalização. Tal como na introdução do motor de combustão interna no início do século passado, haverá vencedores e perdedores. A «carruagem sem cavalos» pôs fora de negócio um ecossistema construído em torno de veículos de tracção animal, mas permitiu o crescimento de indústrias completamente novas para apoiar o automóvel.

O mesmo está a acontecer hoje.

O meu conselho? Afaste-se das folhas de cálculo, literal e figurativamente. Saia das sombras e reconecte-se com os seus colegas na linha da frente — são eles que sabem de onde vêm as mudanças, que conseguem ver o impacto dessas mudanças, especialmente as oportunidades. Abra o processo contabilístico e dê aos seus colegas poder para colaborar consigo. Ao fazê-lo, garantirá que têm acesso aos números que afectam a sua visão da realidade e, por sua vez, fornecem contributos e valor reais para a sua análise dos números. Isto dá-lhe uma imagem precisa e cria adesão e benefício mútuo, seja no processo de planeamento ou na compreensão das variações ao analisar os valores reais. Manter-se-á ligado e relevante e, ao descentralizar algumas das funções contabilísticas, libertará o seu próprio tempo para ser mais estratégico e adaptável.

Com o mundo a mudar tão depressa, as regras antigas já não funcionam, mas as novas ainda não foram desenvolvidas! Isto torna o papel custodial das finanças mais difícil, mas ainda mais importante do que nunca. Mantenha-se adaptável e poderá orientar os seus clientes e organização de forma ética e próspera por estes dias opacos; caso contrário, será uma das vítimas de Darwin.

Publicado no Accountingweb – 27 de Julho de 2017

https://www.accountingweb.co.uk/tech/accounting-software/digital-darwinism-its-still-adapt-or-die

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